Quando a fábrica abriu, Monte Sião era basicamente rural. Não havia turistas nem um comércio significativo. Seu To-ninho fazia viagens para a vizinha Águas de Lindóia, onde dava gorjetas para os motoristas dos ônibus turísticos e os convencia a incluir sua cidade no roteiro das águas. As porcelanas começaram a atrair visitantes e as costureiras locais disputavam espaço em frente à fábrica para vender suas malhas. Hoje a cidade tem quase 20 000 habitantes e se orgulha do título de “Capital do Tricô”.
Com certeza, a cidade e a fábrica devem muito a seu Toninho, um paulista de Pedreira que tem 68 anos e trabalha com porcelana desde os 13. Em 1962, quando ele tinha 32 anos, foi convidado para ser gerente da fábrica, que ia muito mal. Chegou a Monte Sião ganhando o maior salário da cidade e, um ano depois, comprou 40% da empresa e o direito de administrá-la sem interferências. Ainda hoje, dirige caminhão para transportar madeira e gosta de estar presente em cada etapa do trabalho. “Tem uma coisa que eu não tenho”, diz ele. “Preguiça.”
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O modo de fazer continua artesanal.
Mesmo assim, a maior parte do trabalho continua artesanal. Não há esteiras rolantes nem linhas dc montagem, o que. aliás, permite tal variedade de produtos. Tudo é pintado a mão, o que faz com que não exista uma peça igual a outra. E os fornos continuam sendo aquecidos do mesmo jeito que os da China medieval: a lenha. A maioria dos concorrentes instalou fomos elétricos ou a gás, por causa do alto preço da madeira. Mas seu Toninho é dono dc 30 alqueires de eucalipto, o que garante seu suprimento de energia e a cor de suas peças. Acontece que a porcelana azul e branca só pode ser queimada em fornos a lenha, porque a tinta importada da Alemanha oxida em outros tipos de forno, ficando com uma cor de ferrugem. São os gases liberados pela queima da madeira que garantem a beleza do azul.
As peças são colocadas sobre um torno e pintadas com oxido de cobalto alemão, que dá a cor azul.
Cada pétala surge de uma pincelada do pintor, que imprime seu estilo à peça, mesmo mantendo o padrão.
Um banho de esmalte garante que a peça fique com aspecto vitrif içado depois de queimada.
Caixas refratárias, feitas na própria fábrica, protegem as peças do contato direto com o fogo, no forno.
As caixas são empilhadas até preencher totalmente o forno.
Em cada fornada são queimadas até 25 000 peças. A temperatura chega a 1300°C.
5. O gesso absorve a água da pasta, que vai secando e gruda nas paredes internas da fôrma. O excesso de material no interior do molde é despejado e depois reaproveitado.
6. Neste ponto, a fôrma pode ser retirada. As peças ainda têm cor de argila e estão moles. Elas são deixadas
em prateleiras para secar até poder ser manuseadas sem se deformar.
7. O acabamento tem três etapas. Primeiro, com uma faca, são retiradas pequenas irregularidades. Depois é utilizada uma esponja molhada para alisar as emendas deixadas pela fôrma. Por último, procuram-se pequenas fissuras nas bordas, que podem trincar na queima. As peças que não passam por esse controle são derretidas e seu material é reaproveitado.

1. Uma matriz é elaborada no torno. A partir dela se constrói o molde de gesso que servirá para fazer todas as outras peças.
2. Argila, caulim, feldspato e quartzo são triturados por 60 horas no moinho de bola (que tem seixos dentro) e saem de lá liqüefeitos.
3. Esse líquido passa por um filtro de alta pressão, onde perde água.
O material separado seca e fica em forma de pizza.
4. Os discos são batidos com silicato de sódio e
se transformam numa pasta. Essa mistura é derramada nas fôrmas de gesso.
A Porcelanas Monte Sião foi fundada em 1959 e está sob o comando de Antônio Daldosso, o seu Toninho. desde 1962. No começo, ela se especializava em bibelôs. ate que um português que morava na cidade trouxe uma jarrinha azul e branca importada de seu país natal e pediu a seu Toninho que a copiasse. Ficou tão bonita e fez tanto sucesso que se transformou na especialidade da empresa. Hoje são noventa funcionários para misturar e moldar a porcelana, pintá-la e queimá-la em um dos dois fornos com capacidade total de 40 000 peças. Todo dia, saem de lá até 2 000 xícaras, canecas, pratos, copos, jarras, travessas, bandejas, cinzeiros (são 200 itens di ferentes) para todos os cantos do Brasil, quase sempre pintados com as características de flores azuis de oito pétalas.
Legítima porcelana de Monte Sião.
Numa pequena cidade do interior de Minas, uma fábrica mantém artesanalmente a antiga tradição da porcelana azul e branca.
A produção começou com uma jarra como as da foto acima. Hoje são trabalhadas 2 000 peças por dia.
Fazendo porcelana desde 1959.
Se você tem em casa uma porcelana azul e branca que não c importada da China, da Holanda ou de Portugal, é quase certo que ela lenha saído de um dos fornos da Porcelanas Monte Sião. Essa fábrica, localizada na cidade mineira de mesmo nome, perto da divisa com o Estado de São Paulo, é a única no Brasil a fazer esse tradicional tipo de porcelana, criado há mais de l 000 anos pelos chineses.








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