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sexta-feira, outubro 05th, 2012 | Author:

RAÍZES.
Eles podem ser tecidos em faixas, que depois são unidas num todo, pintados com batik ou feitos industrialmente. Como não poderia deixar de ser, além do uso cotidiano, os panos desempenham também funções sagradas. Bordados, búzios, pedras e cores identificam os orixás representados na vestimenta. Falando em cores, os africanos acham que vale esbanjar, exagerar mesmo na intensidade e mescla de tons, porque eles a-traem várias formas de energia, cada uma associada a um sentimento positivo, como satisfação, encanto e felicidade. Com o objetivo de transmitir conhecimentos como esses a todos os brasileiros, foi criado em São Paulo o Centro Cultural Oduduwa, pelo nigeriano Síkiru Sàlámi. King, como é mais conhecido, pertence à nobre linhagem nigeriana Kenta, e se orgulha, com toda razão, de ser um autêntico nagô, nascido na tribo Yorübá. Com uma formação acadêmica sólida – ele é administrador de empresas e sociólogo, com pós-graduação na Universidade de São Paulo -, King atingiu o grau -de sacerdote no culto religioso africano, que tem sua expressão máxima nos orixás. Como mestre, King mostra aos seus alunos o que é a África sob o ponto de vista cultural, religioso e humano a partir do pensamento puramente africano, eliminando os equívocos da interpretação brasileira, resultantes da falta de compreensão da língua ioruba. No Centro Cultural Oduduwa, nome que significa “o grande antepassado dos iorubas”, há a realização de cursos sobre a arte africana e os orixás, e intercâmbios que tanto levam brasileiros à África como trazem africanos ao Brasil. Além disso, o Centro tem um acervo de publicações aberto ao público para consultas. Para se atualizar, King viaja sempre à África, colecionando objetos como roupas típicas, tecidos sempre muito coloridos, esculturas em madeira de divindades e máscaras usadas em rituais. As peças podem ser apreciadas no Centro. Como a cultura africana está espalhada pelo mundo, as atividades do centro cultural não se restringem ao Brasil, e o professor King acaba entrando em contato com pessoas de vários países das Américas e da Europa. Não só para promover a arte como também para divulgar o pensamento africano, segundo o qual o ser humano só vai evoluir quando fizer as coisas para os outros como se fosse para si próprio.

FORMAS GENEROSAS GANHAM EXPRESSÃO NA MADEIRA, ENQUANTO OS SANTOS DO CANDOMBLÉ DITAM AS CORES DO PANO-DA-COSTA, FAIXA DE TECIDO QUE INTEGRA AS VESTES DO PAI-DE-SANTO.

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